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Telemonitorização através da box da televisão: Será uma boa opção?


Telemonitorização através da box da televisão

Temos assistido, nos últimos meses, ao surgimento do tema da “telemonitorização através da box da televisão”, mais concretamente através das operadoras de telecomunicações, sobretudo porque são marcas top of mind e qualquer assunto que se relacione com estas marcas, geram sempre algum ruído.

Focando-nos na questão em análise, responderia que sim: É uma boa opção.

Mas não é para todos. O target, na minha opinião, cinge-se à população mais idosa, com problemas de audição/visão e sem estrutura familiar/cuidadores de proximidade. Mesmo neste target, convém não esquecer que, embora a televisão seja realmente uma ferramenta familiar, a sua utilização restringe-se ao básico: ligar/desligar, regular o volume e seleccionar os canais preferidos que, na maior parte das vezes está no intervalo 1-4. Deste modo e neste target poderá ser uma ferramenta interessante para poder passar informação aos utentes, potenciando a literacia em saúde.

Será a “box” uma tecnologia de futuro?

Em Portugal, o número de assinantes de televisão paga aumentou 4,1% em 2016, impulsionado pela fibra óptica. Mas, noutras regiões, como por exemplo a América do Norte, passa-se exactamente o inverso:

Segundo o relatório de Março de 2017 da Digital TV Research, o número de utilizadores têm vindo a diminuir, com uma estimativa de diminuição de 9% até 2022 (adaptado de Broad Band TV News):

Os consumidores estão a mover-se para outras formas de acesso à televisão, sobretudo via Internet, como por exemplo a Netflix. É possível que este cenário venha a ocorrer em Portugal, em que a atual “box” seja substituída por outro tipo de tecnologia para ter acesso a conteúdos televisivos. De alguma forma, o que quero dizer é que a “box” não me parece a melhor alternativa, tendo em conta o ciclo de vida de um produto, para potenciar novas formas de seguir os doentes em casa.

A ascensão do mobile

Por outro lado, o mobile tem vindo a ter um maior impacto nos utilizadores. Um estudo realizado pela Kantar TNS demonstrou que, por exemplo, a utilização de smartphones, em Portugal, passou de 18%, em 2012, para 59%. O site do relatório está disponível aqui. E se quisermos analisar por faixas etárias mais específicas e restringindo, por exemplo para idades onde as doenças crónicas são mais prevalentes, temos os seguintes dados:

Como podemos verificar, quando se questiona: “Qual deles, se tiver, dos seguintes dispositivos você usa atualmente?”, às faixas etárias 45-54 e 55+, 88% e 80% respondem telefone móvel. O valor baixa para 56% e 28% respectivamente, quando respondem apenas Smartphone.

Esta sim é uma ferramenta sempre presente no quotidiano da maioria das pessoas e com um enorme potencial de, nos próximos 5 a 10 anos, se tornar ainda mais presente nas faixas etárias (>50). O mobile é utilizado para as mais diversas actividades e a saúde será (e já é) um dos canais preferenciais, sobretudo na pesquisa de conteúdo informativo.

Em vez de nos focarmos em tecnologias com um potencial declínio nos próximos anos, devemos olhar para as tendências atuais (e futuras) e antecipar estratégias para não investirmos tempo e dedicação em algo que poderá ser canibalizado a médio prazo.

A saúde, através do mobile, apresenta diversas vantagens, mas focava-me num aspecto que se torna relevante em grande parte das doenças crónicas, que é a reabilitação. Estes tratamentos estimulam, entre outros, a actividade física dos doentes. E qual o melhor dispositivo para levarmos connosco numa actividade deste género? Uma coisa é certa: Não é a “box”.

 

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