Um dos desafios na área da saúde digital é da utilização de termos ambíguos que, muitas vezes, são utilizados para descrever diferentes aplicações pelos autores ou pelos próprios fabricantes. Para quem quer investigar, comunicar e utilizar estas tecnologias é um desafio encontrar um consenso internacional sobre a terminologia mais adequada. Mas vamos por partes.
Telemedicina
Começando pela telemedicina consiste num termo que, na análise etimológica da palavra, depreendemos que a própria origem da palavra – “tele” – remete para “longe”, “ao longe” e “à distância”, de acordo com a sua origem grega. Assim, telemedicina compreende a prática da medicina, através de meios tecnológicos, onde o médico está distante do utente.
Consiste, provavelmente, na forma mais antiga da prestação de cuidados à distância tendo sido potenciada nas últimas décadas pela evolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC). Alguns autores distinguem a telemedicina da telessaúde pelo profissional que presta o serviço. Se for prestado por médicos seria telemedicina e se prestado por outros profissionais de saúde, seria telessaúde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde1. A telessaúde é um termo mais abrangente e inclui a telemedicina.
Telessaúde
A telessaúde é um termo mais abrangente do que a telemedicina e, além de permitir também serviços prestados por profissionais de saúde inclui, adicionalmente, serviços que podem ser prestados por outros profissionais de saúde. Aliás, aqui temos um exemplo de alguma ambiguidade, porque a telessaúde pode se definir como a prestação de cuidados de saúde (logo, mais abrangente) através de TIC’s, entre o utente e um profissional de saúde (inclui mais prestadores) em diferentes espaços físicos, podendo, à semelhança da telemedicina, ser síncrona (quando realizada em “tempo real”) ou assíncrona (informação transmitida e rececionada em diferentes momentos ao longo do tempo). A telessaúde, por exemplo, inclui serviços como: telemonitorização, teleconsulta e telereabilitação, entre outros. O site do Centro Nacional de Telessaúde tem alguns exemplos de intervenções que se enquandram na definição da telessaúde e pode consultar aqui.
O termo telessaúde tem gerado algum interesse no último ano, sobretudo devido à teleconsulta e à sua crescente utilização durante a pandemia da COVID-19.
Telemonitorização
A telemonitorização, também referida como monitorização remota, remete para uma forma de monitorização à distância de parâmetros clínicos (sinais, sintomas, sensores, etc.). De acordo com a American Telemedicine Association, a telemonitorização consiste na recolha, transmissão, avaliação e comunicação de dados de saúde de um doente para seu prestador de cuidados de saúde que se encontram fora do domicílio habitual do doente, através de tecnologias como por exemplo, dispositivos sem fio, sensores wearables, monitores implantados, telemóveis e aplicações móveis. A monitorização remota do doente permite suporte à distância através da monitorização contínua de uma patologia ou da gestão da doença crónica e pode ser síncrona ou assíncrona, dependendo das necessidades individuais do paciente. A aplicação de tecnologias mais recentes, como a inteligência artificial e o machine learning, pode permitir uma melhor monitorização de doenças e a detecção precoce alterações do estado dos doentes, bem como permitir uma melhoria no diagnóstico e suportar uma medicina personalizada.2

Como vemos, existe uma interligação entre estes diferentes conceitos e o que determinará a sua correcta utilização será o contexto e os interlocutores na utilização das TIC’s.
Fontes:
- World Health Organization. (2011). Telemedicine: Opportunities and Developments in Member States (Global Observatory for eHealth Series, 2) (Illustrated ed.). World Health Organization.
- American Telemedicine Association. (2021, March 2). Telehealth Basics. ATA. https://www.americantelemed.org/resource/why-telemedicine/