Recentemente foram publicadas as novas guidelines para a utilização da ventilação não-invasiva (VNI) na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) hipercápnica, pela European Respiratory Society (ERS). Uma task force multidisciplinar de especialistas na área da VNI actualizou as guidelines, à luz dos mais recentes estudos publicados, com recomendações importantes e sugestões de investigação para o futuro.
As quatro principais recomendações são:

Além destas recomendações, são também focalizados os seguintes aspectos:
Idade
Está associada de forma independente com um pior prognóstico clínico. Em faixas etárias mais elevadas, a prevalência de doenças mentais e/ou problemas físicos podem dificultar a utilização da VNI em doentes mais idosos. A existência de um cuidador revela-se, também, importante na eficácia da VNI.
É recomendado a colaboração dos prestadores de cuidados domiciliários na mitigação destas dificuldades.
Co-morbilidades
Não são contra-indicação para a VNI, embora devam ser equacionadas na gestão do doente, destacando-se: congestão pulmonar e/ou apneia central como consequência de uma insuficiência cardíaca e a hipoventilação em doentes obesos ou com apneia obstrutiva do sono. A caquexia também é um achado frequente na DPOC e os estudos sugerem que, nestes doentes, com dispneia grave e fraqueza dos músculos respiratórios a VNI pode ser benéfica.
Adesão à terapia
A adesão à terapia é factor crucial na eficácia da VNI e é sugerido um limiar para que exista benefício terapêutico, sendo as 5h/dia um valor razoável. É também referido que um aumento da utilização da VNI (>9h/dia) é um indicador de pior prognóstico. É sugerido que este aumento da dependência da VNI possa estar relacionada com a natural evolução da patologia.
Máscaras
A máscara oronasal é a mais indicada, permitindo controlar melhor as fugas, sobretudo com pressões inspiratórias mais elevadas. É também referido que em doentes com tosse frequente e/ou expectoração abundante pode ser utilizadas, temporariamente, máscaras nasais.
Circuitos
Circuitos simples com máscaras ventiladas são a opção recomendada dado o seu baixo peso em comparação com sistemas de duplo circuito.
Bateria interna
Deve ser considerada em doentes com uma utilização superior a 12h/dia.
Humidificação ativa
Em situações de secura da mucosa pode ser utilizada para melhorar a utilização da VNI, não obstante deve se considerar algumas particularidades da humidificação, tais como: aumento do espaço morto que poderá ter impacto na eficácia da VNI e o risco de infecções.
Fonte: Ergan B, Oczkowski S, Rochwerg B, et al. European Respiratory Society Guideline on Long-term Home Non-Invasive Ventilation for Management of Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Eur Respir J 2019; in press (https://doi.org/10.1183/13993003.01003-2019).